Diário de Bordo - Manoela Afonso


E LÁ VAMOS NÓS - EM GYN

 

essa terra é tão seca

que não deixa

o choro acontecer

 

as lágrimas evaporam

antes de caírem dos olhos

 

o coração

em compensação

transborda saudade

 

 

 

Poeminha de regresso - bsb/gyn, escrito às 23h51 de hoje - domingo. Agora é pegar firme no batente porque o tempo não pára. A foto é mais uma aqui dos arredores de casa e do campus. E viva a horizontalidade do planalto!



Escrito por Manoela Afonso às 22h48
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RE-FLUXO: RE-UNIÃO

páginas coletivas: em junho com ricciardi, depois em curitiba no tubas bar com tico litlle e agora, em brasília, no rayuela... livrinho boêmio esse! - viajado de bar em bar pra pensar melhor

re-fluxo re-unido: ricciardi à esquerda e dinelli (vulgo bandinha) à direita: confabulando... pode ser utopia, mas ainda acredito no poder dos nano-danos: cada um pode ser uma ínfima mina infiltrada na base do sistema - e minando aos poucos, quem sabe através de micro abalos um estrago maior possa acontecer mais tarde... assim caiu roma hehehe... é como minha pedra no rim: esqueço dela, mas às vezes ela se desloca e lembro da sua existência; em algum momento ela pode crescer, crescer - não vai matar, mas vai incomodar. Hmm, pensar num câncer seria mais interessante, mas danos cancerígenos, com falência múltipla, danos irreversíveis, etc, é coisa pra políticos. Artistas hoje em dia conseguem no máximo um desconforto passageiro... e olhe lá - alguém se habilita a ser algo mais que um cálculo renal de 0,6cm?

 


 

O infinito

 

Tomei por arte

a pretensão do infinito

e uma ousada aspiração de eternidade

 

Mas vejo Hemingway

os dois canos da espingarda na boca

Villa-Lobos passando giz no taco de bilhar

Picasso segurando aquela sombrinha

a mão ingênua de Pasolini apoiando o queixo

Rimbaud traficando armas na África

Fellini de pés descalços numa praia de Rimini

 

E eu aqui: caneta, papel

e dois tostões de poesia

 

O infinito é maior

 

Paulo José Cunha - do Coletivo de Poetas organizado pelo amigo Menezes, Brasília, 1997 - p.160



Escrito por Manoela Afonso às 22h38
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CREPóSCULO

 

Raízes profundas

Prendem-me a ti

Se me sufocas

Arrancas parte de mim

Se me despreza

Condena o meu existir

Se me beijas

Fazes-me florir

 

Condenação - Lília Diniz - do livro Babaçu, Cedros e outras Poéticas em Tramas, p.64

Fotografia: o crepúsculo onde moro é assim - arredores da UFG/GO - sábado/2006



Escrito por Manoela Afonso às 12h40
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E A GAROTINHA DORMIU

"o tempo...

para mim todo o tempo está contido na primeira linha que inicia um desenho

e ali o tempo é infinito"

 

Palavras para Lela: a respeito do meu tempo - MA, 04/07/2006 02:40h - boa hora pra se pensar em tempo, a tempo!

 

Já as palavras no desenho (ambos feitos no bar em julho/06) me fazem pensar: por que optar por apenas um caminho? Quero todos os caminhos - ou o caminho que eu quiser.



Escrito por Manoela Afonso às 12h16
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o sorriso desnuda a alma

 

o Skol (acima) e a Lua (abaixo) são companheiros e cúmplices de uma vida toda - Curitiba, julho/2006



Escrito por Manoela Afonso às 11h44
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SERVENTIA

"cansado do mundo você retorna ao seu quarto,

canto de prédio, periferia da cidade.

o vazio e o silêncio são-lhe companhia habitual: não há tv.

você pensa, pesa e repensa os dias passados, sem nada concluir.

permanece em sua cama, canto de casa, periferia do quarto,

fatigado do mundo.

de repente, uma ânsia de sair lá fora. mundo afora.

em busca de que? de outros vazios e outros silêncios?

olha as paredes, pintadas. as janelas, sujas. o piso, desgastado.

as roupas, amontoadas. os sapatos, jogados.

os livros, ah, os livros. companhias sem igual".

 

Serventia, Marcos Freitas - do livro 'Moro do lado de dentro' - p.48

Imagem: auto-retrato em deslocamento, hidrocor s/ papel polen, desenho de viagem feito dentro do ônibus BSB-CWB em 03/07/06, em Santo Antonio da Platina



Escrito por Manoela Afonso às 23h54
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RALO ABAIXO... É SEMPRE UM RISCO

cãimbra no sangue

 

hoje eu acordei em tiras

os olhos com formato de duas garrafas vazias

o vômito como morcilha de porco

as hematomas doendo como socos por todo o corpo

quem vai pagar essa conta?

beber aos litros atrai espíritos malignos

fui expulso de casa e olha que eu moro sozinho

prometo beber somente na semana que vem

tropeçar não me cai bem

 

Marcos Prado - Ultralyrics - p. 85

Fotografia: wc - Bar do Kuka... é, tem rock em gyn sim! MA/hoje na madruga



Escrito por Manoela Afonso às 21h19
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AO TRABALHO

 

São 6 horas.

Os pássaros daqui

sempre pontuais.

Pontuam, entre outras coisas,

segredos e promessas

de outro amanhecer.

 

Foi o poema que me ocorreu agora, exatamente às 6h30, enquanto os pássaros ali fora acordam numa algazarra. Estou de volta a GYN e o mais surpreendente é que me sinto em casa nessa terra estranha. Talvez tudo já esteja do meu jeito, com meu cheiro, minha bagunça, planos traçados, vontades... um adeus temporário à Curitiba. O desenho é um daqueles de viagem, feito em alguns dos minutos dentro das 24 horas da jornada ao sul. Manoela Afonso - julho/2006



Escrito por Manoela Afonso às 05h25
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Saudade
das araucárias no horizonte
do horizonte no cinza
do cinza no aconchego

frio...

Saudade da família
e dos amigos

da minha Lua
da minha rua

do vapor quente
no ar gelado
quando rimos
e nos sacudimos
sobre a geada
da última madrugada

Manoela Afonso - junho/2006

Fotografia: Rua XV de Novembro, calçadão cheio de vida, julho/2006



Escrito por Manoela Afonso às 20h03
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quero dizer apenas
que não vale a pena
só te ver de longe
na fotografia

e pensar teu nome
para poesia

quero tocar teus poros
conhecer a pele
radiografar teus pêlos
ser teu dia a dia

artur gomes
http://arturgomes.zip.net
www.fulinaima.com.br
http://balckbilly.blogspot.com
http://carnavalha.zip.net

 

Foto: nesses dias frios aqui em Curitiba


 

"Isto é amor: voar na direção de um céu secreto,
fazer com que cem véus caiam a cada momento.
Primeiro soltar-se da vida
E finalmente dar um passo sem pés "

Poeta Rumi - enviado carinhosamente por Rita Santilli - http://madagascaroriental.blogspot.com/



Escrito por Manoela Afonso às 01h59
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Curi
Tyba
Muito
Pinhão

Muito prazer
Poty e por mim

Petit Pavê e Pacumê?



Boca Maldita e
Largo da Ordem

ou

Boca Larga e
Ordem Maldita?

hein, Curitiba?

 

Poeminha pra Curityba e Fotografia do Petit Pavê da XV à noite - adoro essa cidade, apesar dos pesares (pesados pesares - Marcos Prado que o diga), Manoela Afonso/2006



Escrito por Manoela Afonso às 01h14
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AINDA HÁ POESIA

 

passarinhos

piem na minha janela

façam uma serenata para mim esta noite

eu preparo as pipocas

e a mesa com frutas

vocês cantam e comem

eu bebo e danço

 

se a canção for triste

choramos todos juntos

se for alegre, barulho!

os vizinhos que se fodam

 

caso eles dindon

eu abro a porta: "entrem"

se não quiserem

cagamos na cabeça deles

e recomeçamos

na mesma nota

 

quando amanhecer, eu sei,

vocês têm trabalho

podem ir, mas já estão convidados

para a noite que vem

e podem trazer o resto da turma

 

Marcos Prado - Ultralyrics - p. 80

Fotografias: bailarina da caixinha de música, Rua XV de Novembro - fico pasma com a capacidade de algumas pessoas de trazerem poesia ao mundo... Manoela Afonso-hoje



Escrito por Manoela Afonso às 01h06
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SEM CHUVA NÃO É CURITIBA

 

"Há 30 anos estava na janela. Na janela comia, na janela bebia, na janela vivia. Na janela, encaixados os peitos em moldura de braços e carnes, cochilava brevemente, rápido desabar de cabeça logo reerguida. Nada havia para se ver naquela rua. Nada acontecia. Mas ela queria ter a certeza de que, quando acontecesse, seria a primeira a vê-lo, fato vivo fisgado no arpão da sua vigília".

Marina Colasanti, 'Que não lhe passe a vida inultimente' - do livro Contos de Amor Rasgados, p.201

 

Imagem: Catedral - Igreja Matriz de Curitiba vista de dentro do meu ônibus Nossa Senhora de Nazaré (é, o ônibus é meu há 30 anos) - domingo como eu gosto, Manoela Afonso/2006



Escrito por Manoela Afonso às 23h41
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O DONO DA FARRA

meu coração é só uma bomba de sangue

mas como todo motor,

um dia entra em pane.

 

mesmo a paixão um dia se recusa

e como em todo o amor,

um dia o sangue suja.

 

meu coração não funciona direito

mas como todo bom ator,

ventríloquo que fala de amor,

dubla a batida do peito.

 

estúpida máquina falsária!

pode ser a dona da farra,

mas seja como for,

um dia o pulso pára.

 

Marcos Prado - Ultralyrics

Imagem: paintbrush, Manoela Afonso - madrugada dessas, julho/2006



Escrito por Manoela Afonso às 05h24
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assiste

o sol um

espetáculo

incrível

 

- existe

vida ali

naquele

planeta

 

não sei

se

terceiro

ou quarto

 

já se

preparava

pra bater

palmas

 

quando

a lua

se meteu

na frente

 

o sol

nervoso

- senta

senta!

 

Marcos Prado - Ultralyrics

 

Imagem: hidrocor s/ caderno de André e Marisa, Manoela - hoje



Escrito por Manoela Afonso às 23h31
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"montanhas, flores e árvores

me observam

eu sou a paisagem"

Marcos Prado

 

Imagem: da série Insônia, hidrocor s/ sulfite, intervenção no livro do Neuton, Manoela Afonso/2006



Escrito por Manoela Afonso às 23h57
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CALMARIA E FÚRIA

Tempo.

Ele em outras bandas corre pulsos, paredes, nas colunas, igrejas, painéis, seus ponteiros e números e contagens e desvantagens velozes...

aqui
se passa
calmamente...

O ponteiro é galho crescente de árvore solitária...

Os alarmes são dias de chuva e relâmpagos, trazendo sua imponência boas vindanças...

Aqui tempo cessa recomeça a cada colheita dos sabores vida, dados como presentes certas épocas.

Nesta terra tempo deixa gente sozinha. Sem apurrinhar. Ele some, eu ensimesmado nas sombras galhadas da parceira.
Hoje o dia nasceu assim...
Eita vida besta, meu deus...
 
 
Texto: Cristiano Gouveia - http://www.calmariaefuria.blogspot.com/
 
Imagem: da série 'Paisagens Inteiores' - grafite s/ papel, trajeto GO-BSB... desenhar é uma forma de pensar - 16/06/06, Manoela Afonso


Escrito por Manoela Afonso às 01h57
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