"A Terra - disse ele - tem uma pele e essa pele tem doenças. Uma dessas doenças, por exemplo, chama-se: 'homem'. E outra dessas doenças chama-se 'cão de fogo'; a respeito deste, muito os homens mentiram a si mesmos e muito deixaram que lhes mentissem. Para desvendar esse mistério, eu me fiz ao mar; e vi a verdade nua, realmente! descalça até o pescoço. Já sei, agora, o que há com o cão de fogo; e, igualmente, com todos os demônios da escória e da revolta, dos quais só as mulheres velhas têm medo. 'Sai, cão de fogo, das tuas profunduras!', exclamei, 'e reconhece quão fundas são essas profunduras! De onde vem que bufas para cima?' Bebes fartamente no mar: revela-o a tua salgada eloqüência! Francamente, para um cão das profunduras, tomas tua alimentação por demais na superfície! Considero-te, quando muito, como o ventríloquo da Terra; e, todas as vezes em que ouvi falar em demônios da revolta e da escória, achei-os iguais a ti: salgados, mentirosos e superficiais. Sabeis berrar e tudo escurecer com cinza! Sois os melhores bravateiros que conheço e aprendestes fartamente a arte de fazer a lama ferver. Onde quer que estejais, deve sempre haver lama nas vizinhanças e muita coisa da mais esponjosa, cavernosa e comprimida: e essa anseia por liberdade. 'Liberdade' é o vosso grifo preferido; mas eu desaprendi a ter fé nos 'grandes acontecimentos', assim que em torno deles haja muito barreiro e fumaça. E podes crer-me, amigo barulho infernal! Os maiores acontecimentos - não são as nossas horas mais barulhentas, mas as mais silenciosas. Não em torno de novos barulhos: em torno dos inventores de novos valores, gira o mundo; gira inaudível."
Assim falou Zaratustra, p. 143/144
Imagem: fotografia tirada hoje, no caminho da universidade para casa, lá pelas 18h20, num trecho que fica em meio a uma plantação... coisas que acontecem aqui, em gyn.
Em uma terra aconteceu que um milhafre carregava uma ratazana e um eremita pediu a Deus que aquela ratazana caísse em seu colo. Por causa das orações do santo homem, Deus fez aquela ratazana cair no colo do eremita. Ele então pediu a Deus que a transformasse numa linda donzela. Deus atendeu às preces do eremita e fez da ratazana uma bela donzela.
"-Filha, disse o eremita, vós desejais o Sol como marido?"
"-Não, senhor, porque as nuvens tolhem a claridade do Sol."
E o eremita perguntou se ela queria a Lua como marido. Ela disse que a Lua não tinha claridade por si mesma, mas através do Sol.
"-Bela filha, vós desejais a nuvem como marido?"
Ela respondeu que não, porque o vento mandava as nuvens para onde desejava. A donzela não quis o vento como marido porque as montanhas impediam seu movimento, nem quis as montanhas, porque as ratazanas as furavam, nem desejou o homem como marido, porque ele matava os ratos. No final, a donzela pediu ao eremita que pedisse a Deus que a tornasse ratazana tal como era antes, e que lhe desse como marido um belo rato.
Esta é a primeira das fábulas comprovadamente de origem oriental contida no Livro das Bestas, e pertence a uma coleção chamada Kalila e Dimna. Livro das Bestas, p. 46
a cada amanhecer o sol vem me lembrar das sombras que me cercam
imagem: primeiros raios, hoje por volta das 06h30 - a pintura é um óleo s/ duratex, feita há tempos, talvez em 2000 - tempos em que minhas mulheres eram azuis... e carecas.
SÃO JUDAS TADEU... EU MORO AQUI, SERÁ QUE ISSO JÁ AJUDA?
São Judas Tadeu - patrono das causas difíceis e desesperadas... como não pensei nele antes? Já que ele dá nome ao bairro onde moro, já temos certa intimidade.
Então diz aí São Judas:
COMO LIDAR COM O GRANDE VAZIO DA ALMA?
E não me venha com esse papo de que é preciso ter fé!
São Judas Tadeu era natural de Caná da Galiléia, na Palestina. Sua família era constituída do pai, Alfeu (ou Cléofas) e a mãe, Maria Cléofas. Eram parentes de Jesus. O pai, Alfeu, era irmão de São José; a mãe, Maria Cléofas, prima irmã de Maria Santíssima. Portanto, Judas Tadeu era primo irmão de Jesus. O irmão de Judas Tadeu, Tiago, chamado o Menor, também foi discípulo de Jesus.
É madrugada e está ventando em gyn. Isso é raro. O ar daqui geralmente está quente e parado, como num faroeste. O vento trouxe um friozinho atípico e eu comemoro com um brinde solitário de café com rum cubano, ainda dos tempos de Fidel. Saúde Fidel!!!
"(...) segundo Focillon, o próprio universo não é mais que movimento e metamorfose de formas, providas de um 'destino' seu em busca constante de uma estabilidade estrutural"
fragmento: CALABRESE, Omar. A linguagem da arte. p. 25
imagens: fotografias ao sol de quase meio-dia, aqui, pertinho de casa em gyn - agosto/2006
"Às vezes, quando tenho uma recaída ao idealismo babaca dos anos 70, corro à agenda onde tenho anotados alguns pensamentos e leio este, do Rosário Fusco, em voz alta: :<A vida é uma latrina. Não peça à privada cheiro de lírio, que ela não tem...>"
Blasfematório: uma fenomenologia da idiotice, de Ezio Flavio Bazzo, p.48
Desenho de esperar - hidrocor s/ agenda, café das letras/unb - 01/09 - 20:15