Marc Tougas, Guy Thérèse, Peter Urchak, Jeanne-Michèle Dufour, Sylvie Corbeil, Adèle Bruneau, Canadá
Manuel Lopez, Carlos HallSusana Mourão, José Mourão, Margarida Lourenço, Portugal
Patricia Andresz, Sarah Cheveau, Aurore Loubersac, Anne Getto, Michelle Boucard, Axel Antoine, Amelle Jarjees, Pierre Abernot, Robert Agussan, Nicolas Ramel, França
Voicu Satmareau V., Ioana Sorescu, Romênia
Don Becktel, Scott Mc Donnell, Amanda Berens, Nicci Mechler, Charles Buchanan, Janey McClain, USA
Da esquerda para a direita, alguns dos Gravadores do Espaço:
em cima: Sédicla, Márcia, Silvia, Marlene, Carmen, eu e Agda.
embaixo: Tita, Sylvio, Gleryston e Goári.
Mais uma exposição. Mais uma luta.
Vejam como a coisa funciona (ao menos em Brasília):
Tudo começa quando o artista apresenta um pedido de pauta ao Secretário de Cultura do DF para que possa mostrar seu trabalho numa das galerias 'geridas' pela Secretaria de Cultura. Certamente, o Secretário rubrica o pedido de pauta e pronto. Sei também que não tem tempo de ler as propostas, logo, ele não sabe o que a comunidade artística anda produzindo, pensando, manifestando, propondo. Não conhece os novos artistas da cidade e, talvez, não conheça também muitos dos antigos (sobretudo se forem da oposição). A presença do Secretário é regalia de exposições badaladas, organizadas por embaixadas ou algo do gênero que possa produzir uma boa repercussão, politicamente falando.
Para a exposição "Bookmarks - marcadores gravados", por exemplo, a proposta foi apresentada há 1 ano. Recebi a sua aprovação no dia 24/01/06 por e-mail.
Depois de aprovada a exposição, o artista se dirige ao departamento financeiro e deixa um cheque caução (que no meu caso foi de R$300) e outro cheque como pagamento da taxa de uso da galeria (que no meu caso, seria de R$120 mas, como na época eu morava em Brasília, foi de R$60).
Ok. O artista produz e paga para expor seu trabalho nos espaços da Secretaria de Cultura.
Detalhe: ele é obrigado a colocar a logomarca do GDF nos convites. O artista também não recebe apoio nenhum para a abertura da exposição. Então o artista paga para produzir, sujeita sua produção a uma comissão de seleção com critérios um tanto suspeitos, paga para expor, paga pela tinta que eventualmente precise usar nas paredes da galeria, paga pelo coquetel. Enfim, paga para fazer propaganda cultural do GDF enquanto fomentador da cultura local.
Claro que tem gente boa trabalhando ali dentro.
A Iara, até então, pessoa responsável por agilizar os processos de exposição na Diretoria de Difusão Cultural (DDC), sempre demonstrou competência e respeito ao trabalho dos artistas selecionados. Sabem aquela pessoa que procura resolver os problemas? Ela é uma delas. Coisa rara em órgãos públicos.
O Eder, que trabalha na parte de diagramação, também sempre fez muito bem o trabalho que lhe compete: preparar os convitres das exposições com agilidade.
A equipe de montagem procura executar bem o seu trabalho, embora ele fique prejudicado pela precariedade com a qual a Secretaria de Cultura trata o assunto. Vale destacar que eles colocam tudo na parede direitinho, tudo bem alinhado, ajeitam a iliuminação e tudo mais. O único problema é que às vezes eles não são nada delicados e vidros e papéis podem ficar cheios de marcas de dedos, mãos, martelos e tudo mais. Mas até aí, normal.
Quanto à divulgação do evento, é extremamente precária. O artista precisa implorar para conseguir uma matéria em algum jornal. É claro que ter costas-quentes facilita demais a vida na cidade - como todos estão cansados de saber. Em cultura não é diferente. Se o trabalho é bom ou relevante, não importa. Basta ter contatos.
Com relação à infra-estrutura: quando cheguei na quarta-feira de manhã para a montagem da exposição, os painéis disponíveis no Espaço Cultural estavam todos imundos, riscados, cheios de mancha, com letras de vinil de exposições anteriores ainda coladas. O letrista alegou que estava em férias e que a artista que estava montando uma exposição na galeria ao lado havia lhe dado uma grana por fora para que ele pintasse o texto na parede. Então, ele me disse que se eu lhe desse a grana do almoço, ele pintaria o nosso texto. E perguntei: - Quanto você gasta para almoçar? Ele respondeu: - R$10. Fiquei me perguntando: - ué? mas a Secretaria de Cultura não garante o letrista? Enfim, dei os R$10 para que não ficássemos sem texto e fiquei pensando que eu almoço normalmente com R$6,00.
Os vidros, que eram 10 a serem fornecidos para a exposição, acabaram em 8 (alguns com lascas e pequenas trincas). A sorte é que o Sylvio forneceu mais uns 6 vidros mas, mesmo assim, tivemos que deixar cerca de 50 marcadores de livro fora da exposição por falta de infra-estrutura. O problema da sujeira nos painéis foi resolvido até às 16h (e foi resolvido porque fiz uma forte reclamação à direção do Espaço, alegando possível cancelamento da exposição caso não nos dessem condições dignas de mostrar um bom trabalho). A montagem foi quase até às 19h.
E nós, Gravadores do Espaço, estávamos lá. Eu confesso que ando cansada dessa maratona. Mas estávamos lá. Apesar da falta de conhecimento e reconhecimento de um trabalho sério que vem sendo realizado há praticamente 5 anos pelo grupo orientado pelo professor Sylvio. Essa exposição apresenta marcadores de livro da melhor qualidade técnica e poética em gravura e estampa. Vários lugares do mundo e o Brasil representado lá fora por mais de 20 gravadores de Brasília, Taguatinga, Valparaíso.
Vamos seguindo e pagando para agraciar os espaços da Secretaria com boas exposições. Mas eu não. Eu não pagarei mais para trabalhar. Com essa exposição encerro minhas propostas à Secretaria de Cultura do DF. Agora entendo aqueles artistas que preferem trabalhar por conta ou em parceria com instituições particulares.
Ficam perguntas: qual é a finalidade das exposições que se realizam dessa forma? De que maneira elas contribuem para o enriquecimento da discussão e da produção artísticas? Qual é a relevância para o artista, para o público, para os espaços que se dizem fomentadores de arte e cultura? Para mim, penso que restou apenas o espetáculo... e para os artistas novatos, o espetáculo ainda é de má qualidade.
marcador de livro 158: faces 1 e 2, de Jean-Pierre Lipit, Bruxelles - Belgique
Ligue o som para ouvir a música 'Vous' de Henri Salvador:
"Como muitos países, a França também foi conquistada pelo carisma dos ritmos brasileiros: o Côco, a Embolada, o Maracatu e principalmente a Bossa Nova. Um exemplo forte disto é Henri Salvador, da Guiana Francesa, que já é popular no mundo inteiro e principalmente na França. Seu trabalho incorpora claramente a Bossa Nova, mas de uma maneira descontraída, já que seu país (ex-colônia francesa) inspira esse clima. Melodias antillanas, canções francesas e Jazz caracterizam as músicas do cantor de 86 anos de idade e muitos de carreira."
Marcadores feitos para as trocas das quais participei, em 2004 e 2005, em www.estampe.be - gravura em linóleo e carimbo de borracha
Em 2005 o grupo Gravadores do Espaço participou da troca de marcadores de livro, organizada por Hugues Przysiuda, na Bélgica e, em Brasília, organizada por Sylvio Carneiro e eu. No começo de 2006 todos nós recebemos marcadores de colegas gravadores de outras partes do mundo. Aproximadamente 100 marcadores feitos através de diversas técnicas de estampa e gravura poderão ser vistos na exposição Bookmarks - marcadores gravados, com abertura no dia 29/11 às 19h, no Espaço Cultural 508 Sul, na Galeria Darlan Rosa. A visitação vai até o dia 13/12.
A gravura tem essa característica: múltiplo, coletivo, troca, postal. Há muito tempo é assim. E continua sendo. Muitos gravadores e grupos de gravura continuam fazendo com que seus trabalhos viajem. O intercâmbio gráfico está mais vivo que nunca.
Todos convidados! Depois vamos para o Beirute ou outro bar por ali, na Asa Sul. Vamos?
saudade da brisa cinza, do barulho e do cheiro do mar e do pensamento que se perde lá onde ele encontra o céu
Fotografia: "retrato de mais um belo domingo com nuvens carregadas e alguma chuva na Praia do Sul na São Jorge dos Ilhéus/Ba" - Enviada num doce e-mail por Lela Vasconcellos, uma dessas amizades reais do mundo virtual. Lela, dias felizes para você! O litoral do Paraná é quase sempre assim, cinza e chuvoso... essa foto me fez lembrar dos meus dias de adolescente em Pontal do Sul e Shangri-la.
é, um momento de descontração... Marcos Freitas, Glauco e eu num domingo happy na Torre de Tv. Foi muito bom! Porque na sexta-feira a coisa não foi nada agradável. Pude constatar com meus próprios olhos um momento sim de desconstrução... no mau sentido da palavra: o emagrecimento do acervo da Biblioteca de Artes de Brasília Ethel de Oliveira Dornas. Depois de terem saído com a bibliotecária que dava vida àquele espaço, agora acontece o mesmo que houve com a Gibiteca doada por TT Catalão ao Espaço Cultural: os exemplares inapropriados são doados, transferidos e o acervo todo é estripado.
Recentemente fiz um trabalho de resgate das atividades gráficas realizadas no Espaço Cultural 508 Sul e consultei muitos folders e convites de exposições que aconteceram a partir dos anos 70... esse material é (ou era) acervo da Biblioteca de Artes. Soube que o destino de material "duplicado" tem sido o latão de lixo que fica ali, na saída da W2 do Espaço Cultural. Eu não duvido nada que isso esteja acontecendo, pois há algum tempo eu mesma encontrei no lixo cópias heliográficas da reforma do Espaço Cultural, inclusive uma prancha original de detalhamento. Entreguei tudo nas mãos do arquiteto responsável pela reforma naquela época (anos 90) mas antes disso fotografei - que é a maneira que encontrei de me manifestar com relação a essas barbaridades... tenho muita coisa aqui arquivada, muitas provas. Inclusive, no lixo também estava o documento que comprova a propriedade da prensa existente no Espaço, que era de Fayga Ostrower.
Agora fico aqui pensando: como os artistas são desarticulados... até rolou um abaixo assinado, faixa, etc. Mas nada disso surte efeito. Na realidade somos muito impotentes, acomodados. Não temos conhecimento de legislação, não conhecemos nossos direitos e nem como lutar por eles. Sobretudo em cultura! As ordens são dadas, pessoas engolem sapos e dizem: deixa, não adianta se queimar por isso... logo o governo muda e muda tudo.
Peraí! Pessoas que não são da área ganham cargos decisivos em alguns setores culturais. E os espaços ficam sem propostas, sem política cultural séria. Aliás, isso deve acontecer em todas as áreas, não só com cultura.
Não concorda? Me diz o que foi feito do MAB (Museu de Arte de Brasília)? Do Espaço Cultural 508 Sul? Olha a qualidade das exposições dos Espaços da Secretaria de Cultura! O que é isso? Espaços vazios. Às moscas. Por que a Sociedade dos Artistas Plásticos de Brasília não se reúne para discutir a política desses espaços culturais? Pra que serve essa Sociedade afinal? High Siciety? Se Brasília não contasse com um CCBB, com um Espaço Cultural da Caixa e um espaço Funarte esse problema dos espaços culturais do GDF já teria se tornado uma notícia vergonhosa nacionalmente. A Capital Federal tem alguns eventos de qualidade porque possui alguns espaços federais.
Claro, não estou citando aqui a riqueza do movimento independente tão maravilhoso de Brasília.. são artistas, músicos, poetas, atores, dançarinos, performers que dão um jeito de mostrar sua produção em cafés, shows nas Cidades Satélites, encontros culturais. Veja o T-Bone mesmo, o tanto que teve que brigar com o Secretário de Cultura Pedro Bório para ter seu evento reconhecido. Mestre Zezito que virou página inteira no Correio Brasiliense depois que faleceu (é, os artistas ainda têm que morrer de fome ou doentes para terem reconhecimento)... E como ficará a Oficina do Perdiz? Será que ele terá que morrer ou a Oficina correr o risco de desaparecer para ganhar atenção da tão querida DePHA - Diretoria de Patrimônio Histórico e Artístico? Já me falaram que a comunidade tem que se manifestar e entrar em contato com a DePHA. É, talvez a comunidade seja mesmo desarticulada.
Aliás, estive na Secretaria de Cultura na sexta-feira e, de repente, vi algumas obras relevantes em exposição nos corredores... com direito à iluminação e tudo... tem Babinski, De Lamonica, algumas coisas realmente boas. Fiquei me perguntando se isso se deve ao final de mandato, porque as coisas costumam aparecer só em final de mandato... Construção de museus, ações culturais, patrocínios - "vejam como nós apoiamos a cultura!".
Muito estranho. No mínimo, suspeito.
Enfim, a cultura é tratada assim, com certo desdém, como algo atrelado a interesses políticos, e acaba virando mais um discurso demagógico.
Como diria o Ira!:
Você se sente numa guerra? O seu dinheiro paga o seu pão? Suas crianças estão na escola? Você é capaz de se entregar ao amor? Eu posso estar errado Mas eu devo cantar essa canção Eu posso estar errado Mas eu devo cantar essa canção E questionar
Você acredita no destino? Você acredita na cura? Você acredita no inferno? Você acredita no céu? Você acredita no sangue, na fome? Você acredita no Brasil? Você acredita no Napalm? Você dá presentes no Natal? Eu posso estar errado Mas eu devo cantar essa canção Eu posso estar errado Mas eu devo cantar essa canção E questionar... e questionar... Você se sente numa guerra? O seu dinheiro paga o seu pão? Suas crianças estão na escola?