tadinha, tão jovem e bonita, mas com tantos problemas de memória!
Movimento pela manutenção do Espaço Cultural Oficina do Perdiz na 708/709 Norte, Brasília - DF.
A oficina foi fundada em 1966 por José Perdiz e a partir de 1988 abriu suas portas também para o teatro, a música e as artes plásticas
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"BRASÍLIA É JOVEM E, COMO TODO JOVEM, TEM DE TER BOA MEMÓRIA! AJUDEM A CONSTRUIR A HISTÓRIA DA CIDADE ONDE VOCÊ NASCEU OU ESCOLHEU PARA VIVER! PELA MANUTENÇÃO DO TEATRO OFICINA DO PERDIZ!!!!" http://www.memoriasmalfeitas.blogspot.com/
primeiro você faz um monte de riscos numa folha, mas sem olhar.
apenas linhas pra lá e pra cá.
depois você olha pra imagem e fica procurando coisas.
pode acreditar, tem muita coisa escondida lá
que só você pode achar.
:P
imagem: um desses desenhos feitos na agenda de 2003 - mas não me lembro quem fez, tô achando que foi meu irmão, essa carinha tem a cara do desenho dele.
Não: não quero nada. Já disse que não quero nada. Não me venham com conclusões! A única conclusão é morrer.
Não me tragam estéticas! Não me falem em moral! Tirem-me daqui a metafisica! Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) Das ciências, das artes, da civilização moderna! Que mal fiz eu aos deuses todos? Se têm a verdade, guardem-na!
Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica. Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo. Com todo o direito a sê-lo, ouviram? Não me macem, por amor de Deus!
Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável? Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa? Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade. Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim, Ou deixem-me ir sozinho para o diabo! Para que havemos de ir juntos? Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho. Já disse que sou sozinho! Ah, que maçada quererem que eu seja de companhia! Ó céu azul o mesmo da minha infância,
Eterna verdade vazia e perfeita! Ó macio Tejo ancestral e mudo, Pequena verdade onde o céu se reflete! Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta. Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo ¿ E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio, quero estar sozinho!
Santarém, Rio de Janeiro, Paris, Campinas, Brasília, México: esse, ao menos até o momento, é o percurso de Diô Viana. Artista brasileiro nascido na cidade de Santarém, no Estado do Pará, desde menino estabeleceu uma relação muito íntima com a floresta amazônica. Em companhia dos amigos de infância costumava fazer verdadeiras incursões floresta adentro sem ao menos imaginar que essa vivência iria influenciar profundamente a sua produção visual anos mais tarde.
Diô Viana faz parte de uma classe de artistas à qual denomino ‘andarilha’ e é por isso que me apropriei dos versos do mais famoso poema de Antonio Machado para compor esse texto. Diô possui muitos quilômetros percorridos, diversas texturas, cores, sombras e luzes já vistas e sentidas, muitos espaços tornados afetivos. Sua Amazônia pueril transformou-se numa ‘floresta do mundo’. Agora ela é uma paisagem híbrida resultante do cruzamento de diversos odores, sons, temperaturas e mat(r)izes adquiridos no decorrer dos percursos. Cada nova parada modifica seu olhar e, consequentemente, seu trabalho ganha e perde elementos, evidenciando, assim, a transformação constante em sua produção visual.
“Caminante son tus huellas
El camino nada más;
caminante no hay camino
se hace camino al andar.
Al andar se hace camino
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar”
Certa vez, quando Diô mudou-se para o Rio de Janeiro, o artista Dionísio Del Santo lhe disse: “(...) cor a gente não ensina, a gente descobre! Porque as minhas cores são as minhas cores, as tuas cores são as tuas cores”. E Diô descobriu, sim, as suas cores. São as cores de Santarém que se misturaram às do Rio de Janeiro, Paris, Planalto Central e às de outros lugares já vivenciados. Quais serão as cores, odores e sabores que o México agora lhe reserva?
Além de pintor, desenhista e gravador, ele é também um impressor profissional que atuou junto a importantes artistas brasileiros, dentre eles Marília Rodrigues e Fayga Ostrower. “Todo gravador deveria saber um pouco de impressão. Saber explorar os potenciais de expressão da própria placa. Isso é bem importante. Você pode interferir de maneiras diferentes e acrescentar coisas na placa para enriquecer uma gravura”, declara Diô.
Sua gravura carrega um “fazer” e um “pensar” muito específicos e que, em parte, somam à sua produção gráfica um caráter também pictórico. Com a maturidade poética adquirida depois de tanto caminhar, Diô Viana se permite experimentar materiais e suportes e exercitar procedimentos que extrapolam preocupações puramente técnicas presentes na gravura tradicional. O artista procura explorar ao máximo o potencial de expressão de uma matriz em busca de uma visualidade gráfica significativa.
Estão todos convidados! Participo com 3 gravuras da série Brasília Gravada, junto com vários colegas gravadores de todo o Brasil. Quem puder estar em Atibaia, depois por favor me conte como ficou a exposição - queria muito ir, mas a grana não dá pra tudo e todas :P
E por falar em gravura, soube que Duchamp foi impressor, vejam só!
"Descobri que se podia ser um impressor tipógrafo ou de gravuras, de água-fortes. Era o que eles chamavam de um operador de arte. Eu tinha um avô que havia sido um emérito gravador; nossa família conservara alguma de suas matrizes, nas quais ele gravara vistas realmente extraordinárias da velha Rouen. Então, trabalhei com um gravador, e lhe pedi que me ensinasse a gravar estas chapas. Ele concordou. Trabalhei com ele, e passei nos exames em Rouen. O júri era composto de mestres artífices, que me perguntaram qualquer coisa sobre Leonardo da Vinci. Como prova escrita, se assim podemos falar, você tinha que imprimir gravuras e mostrar o que sabia fazer. Imprimi as gravuras de meu avô, e ofereci uma prova para cada membro do júri. Eles gostaram muito e me deram 49, para uma nota máxima de 50. Assim, fui dispensado de dois anos de serviço militar, e entrei para um grupo de oficiais estudantes".
Do livro Marcel Duchamp: engenheiro do tempo perdido, de Pierre Cabanne, p. 30
Faz frio! Quem disse que a felicidade não pode ser gelada? Só quem nunca teve o prazer de esquentar as mãos numa caneca de chocolate quente e de ir tomando aos pouquinhos pra não queimar a língua. De falar e ficar olhando a fumaça saindo da boca debaixo do sol da manhã. Certo, certo, é verdade: tomar banho nesses dias é uma tortuuuura! - um verdadeiro ato de coragem. Mas como é bom ficar na cama depois que se atingiu o equilíbrio térmico entre os lençóis gelados e o corpo quente! Viver no frio exige habilidade - quando não se tem calefação, é claro. O vinho é um grande aliado - esquenta as extremidades e deixa as bochechas coradas, o que garante economia no aquecedor e na maquiagem. Chá, run, quentão, caldo, sopa, pinhão. E um ar gelado que parece mais fresco, mais limpo. Sim, como podem ver, estou feliz pelo pequeno frio que faz aqui no Centro-Oeste; ao menos pude usar um dos meus cachecóis engavetados. Definitivamente, o frio melhora o meu humor.
imagem: foto por Alexandre - eu e meu novo cachecol lisboeta - agrado de namorado
Estou aqui preparando um material para o encontro da Tribo das Artes amanhã em Olhos d'Água, cidade próxima de Alexânia-GO. Lá nós vamos falar de arte e pensar o que queremos com ela, afinal... E nessa onda das perguntas clássicas: o que é arte, cultura, estética, o papel do artista - acabei indo fuçar nas minhas caixinhas, como sempre... pra buscar minhas referências. E fiquei aqui ouvindo o Ademir Antunes Plá, vulgo Plá - nunca o comparem com o Raulzito porque ele fica puto - que é um louco sonhador, como disse meu pai uma vez. Ele é um desses artistas de rua - amado e odiado - que vai pros espaços públicos curitibanos - e agora no litoral também! - pra mostrar o que anda fazendo, compondo, poetando, suas camisetas cheias de poesias escritas pelo povo na rua, suas bolachas de mel e gergelin que ele faz em casa, seus cd's gravados no TUC, sua voz desafinada, suas letras de protesto, seus 3 mesmos acordes no violão - uma prática punk, acredito (Ramones que o diga). E lembrei do primeiro show que fui assistir - há 8 anos! - e fiquei tão encantada com a coragem daquele louco solitário de mostrar o que estava fazendo e de passar a sua mensagem... eu que estava na Faculdade de Artes aprendendo como ser uma arte-educadora me deparo com a coragem de quem faz um trabalho solitário e que procura contribuir de alguma forma para alguma transformação, por menor que seja... trabalho de formiguinha. Quando assisti ao show, naquele 17/9/99, entendi que arregaçar as mangas e partir para a ação é a melhor escolha. O tempo urge.
Liguem o som e ouçam "Dormilânça", a primeira música do cd que está aí em cima:
O que há em mim é sobretudo cansaço Não disto nem daquilo, Nem sequer de tudo ou de nada: Cansaço assim mesmo, ele mesmo, Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis, As paixões violentas por coisa nenhuma, Os amores intensos por o suposto alguém. Essas coisas todas - Essas e o que faz falta nelas eternamente -; Tudo isso faz um cansaço, Este cansaço, Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito, Há sem dúvida quem deseje o impossível, Há sem dúvida quem não queira nada - Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles: Porque eu amo infinitamente o finito, Porque eu desejo impossivelmente o possível, Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser, Ou até se não puder ser...
E o resultado? Para eles a vida vivida ou sonhada, Para eles o sonho sonhado ou vivido, Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto... Para mim só um grande, um profundo, E, ah com que felicidade infecundo, cansaço, Um supremíssimo cansaço. Íssimo, íssimo. íssimo, Cansaço...
Álvaro de Campos
Imagem: Intervenção com carimbo de borracha no livro de artista de Monica Barbosa - à esquerda minhas mulheres, à direita a mulher dela - gyn/2007
remexo minhas caixas para relembrar alguns sentimentos e sensações. reviro as agendas para entender um pouco as escolhas que me trouxeram até o ponto em que me encontro. é sempre bom reler bilhetinhos, rever fotos e imagens, encontrar desenhos perdidos em gavetas. de tempos em tempos seus significados mudam, eles têm sempre algo diferente a dizer.
imagens: desenhos meus publicados na AgendaArte de 2003, Curitiba - ironicamente falam de saudade. As anotações me fazem lembrar do quanto eu ralava; elas fazem referência a uma decoração que fiz, de uma cafeteria orgânica. Os versos contidos na primeira imagem (Saudade) são do Mario Quintana.
Imagem acima: O milagre da chuva - xilogravura feita em Imburana - madeira que ganhei do Manassés Borges (filho de J. Borges) numa dessas Feiras do Livro de Brasília. É o cerrado do meu imaginário. Essa é uma das árvores que fotografei no Parque Nacional das Emas. Essa xilo - junto com as que estão na imagem abaixo - fará parte do livro de xilogravuras organizado por Cleiri Cardoso (responsável pelo Ateliê Aberto do SESC Pompéia - SP).
Matrizes de xilogravura feitas pelos Gravadores do Espaço (508 Sul - Brasília) para participação no projeto do livro.
Essa beleza foi extraída do zine "TomZine # edição de aniversário/2006" que recebi pelo correio já deve ter um mês mais ou menos. O correio é uma forma ótima de troca, de estar perto das pessoas distantes. Sempre gostei da magia da correspondência... reservo um bom tempo da vida - e algum dinheiro - para as cartas, envelopes rabiscados, desenhados, carimbados, recheados. Não é à toa que o filme "O carteiro e o poeta" tenha me provocado tamanho encantamento. Carta e poesia são feitas uma para a outra.
As gravuras abaixo estão entre as selecionadas para a Bienal, são da Amanda (7) e da Giulia (9) e foram feitas em Brasília, na Usina das Artes, quando eu dava aula pra criançada de lá.
Na gravura da esquerda, a Amanda fez os caminhos subterrâneos dos lugares onde o pai dela trabalha. Dos ministérios para a Catedral e desta para o Congresso. Cidades Imaginadas. Mapas Mentais.