Recapitulando: depois de partir do desenho de observação, vários bancos foram empilhados e a proposta foi procurar as linhas dessa composição com o exercício do "desenho de uma linha só". E o que era figurativo passou a ser um exercício de linhas que diluiu a figura do banco. No dia seguinte, pela manhã, pensando na não-forma, foram feitos desenhos das não-árvores ao ar livre. E, para fechar, no período da tarde, fomos das linhas às formas novamente, só que agora, formas extraídas da imaginação.
Fizemos dois exercícios - o desenho coletivo e o desenho cego - o objetivo agora era buscar as formas ocultas nas áreas que surgiam devido à interseção das linhas: essa é uma maneira de se extrair formas, desenhos, a partir da imaginação. E assim fechamos a nossa oficina: perambulamos do mundo à linha e dela à imaginação.
24/08 - saímos cedo para desenhar as não-árvores (ou seja, os fundos, os espaços vazados das suas copas, os entre-troncos) ao ar livre. Nada como os efeitos da luz natural ao som dos ruídos externos às salas de aula. Os espaços do mundo deveriam ser mais ocupados.
Os macacos do Campus II da UFG nos acompanharam e até abraçaram uma das meninas. Ficaram por ali sondando se ia rolar algum rango.
O Encontro Regional da Rede Arte na Escola aconteceu nos dias 23 e 24/8. A convite do Pólo-GO, dei uma oficina de desenho chamada "Do mundo à linha e da linha ao mundo: representação e imaginação no desenho", que aconteceu nos dois dias, nos períodos da manhã e da tarde. Baseei a oficina nos textos "A emancipação da cor" de Leon Kossovitch e "Alma e corpo do desenho" de Orlando DaSilva.
Vou contar aqui um pouquinho do que fizemos, a começar pelo dia 23/08:
Primeiro o desenho de observação: o objeto foi o que tínhamos à mão - os bancos da sala de aula. Fizemos exercícios em que o desenho foi o projeto para a pintura e, portanto, ficou por baixo da tinta e, no exercício seguinte, procuramos trazer o desenho para junto da pintura.
Em seguida, empilhamos muitos bancos em cima de algumas mesas para extrair desses objetos todas as linhas possíveis, através do 'desenho de uma linha só'. Com canetões desenhamos observando a gestualidade envolvida no desenho, a velocidade, o ritmo, os sons envolvidos no ato de desenhar. Com o resultado em mãos, fizemos exercícios de composição: o desafio era preencher duas das áreas do desenho com uma mesma cor e, em seguida, uma terceira área com uma segunda cor - para encontrarmos o equilíbrio da imagem. Algumas composições mostraram-se mais difíceis e só foram resolvidas com a inserção de mais áreas pintadas e mais cores.
Amizade é uma coisa importante. De repente, vejo-me cercada de pessoas que realmente torcem por mim. Como é maravilhosa essa sensação de bem querer, de aninhamento, de confiança, de crítica na sua boa hora. Os amigos nos ajudam a crescer!
Por falar nisso, ajudam a crescer para os lados também hehehe. Na imagem acima estão deliciosos presentes que ganhei nas últimas semanas: Lindt são chocolates vindos diretamente da Suíça, très chic! Eli, companheira de pós-graduação, encontrou seu amor por aquelas bandas de lá; Lugano ganhei da minha amiga Kalissa, poetisa, sorriso tão doce como esse chocolate... esse nós comemos depois do rock aqui em gyn na semana passada, nada como um chocolate depois da bebedeira; o terceiro, o da caixinha azul, ganhei do meu amor e, se eu não o escondesse, ele mesmo comeria tudo!
artistas admirados e os seus (e meus) companheiros de uma vida inteira...
estava aqui fuçando nos preciosos backup's de 2003 e encontrei algumas imagens de Picasso, esse homem que sempre me fascinou. vê-lo com um cão nos braços me fez pensar que os animais que habitam ateliês de arte são muito felizes, não?
meu gato, ao menos, parece feliz no meio de tantas coisas e coisinhas, pilhas de papel, cacarecos, materiais os mais diversos. ele deve pensar que é tudo dele hehehe.
taí uma boa idéia para um desses livros caros, capa dura e cheios de imagens - que eu provavelmente não compraria, mas o namoraria na livraria: um livro sobre esses animais, companheiros de diversos artistas, escritores, músicos que, em algum momento, acabam sendo incorporados n'alguma produção.
Perde o gato - Drummond
Um jornal é lido por muita gente, em muitos lugares; o que ele diz precisa interessar, senão a todos, pelo menos a um certo número de pessoas. Mas o que me brota espontaneamente da máquina, hoje, não interessa a ninguém, salvo a mim mesmo. O leitor, portanto, faça o obséquio de mudar de coluna. Trata-se de um gato. Não é a primeira vez que o tomo para objeto de escrita. Há tempos, contei de Inácio e de sua convivência. Inácio estava na graça do crescimento, e suas atitudes faziam descobrir um encanto novo no encanto imemorial dos gatos. Mas Inácio desapareceu - e sua falta é mais importante para mim, do que as reformas do ministério. Gatos somem no Rio de Janeiro. Dizia-se que o fenônemo se relacionava com a indústria doméstica das cuícas, localizada nos morros. Agora ouço dizer que se relaciona com a vida cara e a escassez de alimentos. À falta de uma fatia de vitela, há indivíduos que se consolam comendo carne de gato, caça tão esquiva quanto a outra. O fato sociolóligo ou econômico me escapa. Não é a sorte geral dos gatos que me preocupa. Concentro-me em Inácio, em seu destino não sabido. Eram duas da madrugada quando o pintor Reis Júnior, que passeia a essa hora com o seu cachimbo e o seu cão, me bateu à porta, noticioso. Em suas andanças, vira um gato cor de ouro como Inácio - cor incomum em gatos comuns - e se dispunha a ajudar-me na captura. Lá fomos sob o vento da praia, em seu encalço. E no lugar indicado, pequeno jardim fronteiro a um edifício, estava o gato. A luz não dava para identificá-lo, e ele se recusou à intimidade. Chamados afetuosos não o comoveram; tentativas de aproximação se frustaram. Ele fugia sempre, para voltar se nos via distantes. Amava. Seria iníquo apartá-lo do alvo de sua obstinada contemplação, a poucos metros. Desistimos. Se for Inácio - pensei - dentro de um ou dois dias estará de volta. Não voltou. Um gato vive um pouco nas poltronas, no cimento ao sol, no telhado sob a lua. Vive também sobre a mesa do escritório, e o salto preciso que ele dá para atingi-la é mais do que impulso para a cultura. É o movimento civilizado de um organismo plenamente ajustado às leis físicas, e que não carece de suplemento de informação. Livros e papéis, beneficiam-se com a sua presteza austera. Mais do que a coruja, o gato é símbolo e guardião da vida intelectual. Depois que sumiu Inácio, esses pedaços da casa se desvalorizaram. Falta-lhes a nota grave e macia de Inácio. É extraordinário como o gato "funciona" em uma casa: em silêncio, indiferente, mas adesivo e cheio de personalidade. Se se agravar a mediocridade destas crônicas, os senhores estão avisados: é falta de Inácio. Se tinham alguma coisa aproveitável era a presença de Inácio a meu lado, sua crítica muda, através dos olhos de topázio que longamente me fitavam, aprovando algum trecho feliz, ou através do sono profundo, que antecipava a reação provável dos leitores. Poderia botar anúncio no jornal. Para quê? Ninguém está pensando em achar gatos. Se Inácio estiver vivo e não seqüestrado, voltará sem explicações. É próprio do gato sair sem pedir licança, voltar sem dar satisfação. Se o roubaram, é homenagem a seu charme pessoal, misto de circunspeção e leveza; tratem-no bem, nesse caso, para justificar o roubo, e ainda porque maltratar animais é uma forma de desonestidade. Finalmente, se tiver de voltar, gostaria que o fizesse por conta própria, com suas patas; com a altivez, a serenidade e a elegância dos gatos.
Pois é, a Lua se foi e lá em casa ficou o Skol, a ovelha negra da família - veio para me substituir, pois esse título sempre foi meu. Ele até faz um redondo ao redor da área em que vai fazer cocô hahha será que é influência do nome? Um doce de poodle, não é chato como tantos outros. O caçula da casa.
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"Ó Zaratustra", disseram, então, os animais, "para os que pensam como nós, as próprias coisas dançam:vêm e dão-se a mão e riem e fogem - e voltam. Tudo vai, tudo volta; eternamente gira a roda do ser. Tudo morre, tudo refloresce, eternamente transcorre o ano do ser. Tudo se desfaz, tudo é refeito; eternamente constrói-se a mesma casa do ser. Tudo separa-se, tudo volta a encontrar-se; eternamente fiel a si mesmo permanece o anel do ser. Em cada instante começa o ser; em torno de todo 'aqui' rola a bola 'acolá'. O meio está em toda a parte. Curvo é o caminho da eternidade".
sumi. estive andando por aí, com vontade de navegar nos espaços reais, ver e tocar as pessoas, curtir um pouco as dimensões todas do mundo lá fora. o tempo é uma delas, mas como corre esse danado! quando vi, já era hora de regressar - o que na verdade nunca é uma volta, mas sempre uma ida, um eterno seguir em frente.
na imagem acima está a serra do mar! que saudade eu tinha da serra! e do mar continuo tendo saudades, pois ainda não voltei a vê-lo. o sol inunda a paisagem, mas o dia estava frio, para minha quase total satisfação - não fossem os pés ultra gelados como os de um defunto. fui com meu pai à Garuva/SC e na volta compramos cachaça artesanal composta com canela para meu amigo Luis e pinhão de beira de estrada para comer com alguns amigos em gyn.
agora, de volta ao trabalho!
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A música de fundo é uma adaptação de Araruna, de Marlui Miranda. Recebi um mail carinhoso da minha amiga Alice com a versão original: "Uma música lindinha para a sua volta, ou ida, ou... sei lá..." heheh, obrigada querida!