Michelle Cunha

Estou aqui em casa, tentando colocar um pouco de ordem nas pilhas de papel. E, como não poderia deixar de ser, cada um dos papeizinhos me retém por horas e horas. São as lembranças que pululam junto com ácaros e pêlos do Mimo. Acabei encontrando várias cópias de gravuras de Michelle Cunha, distribuídas na exposição IV Impressões Brasilienses (http://manoelaafonso.zip.net/arch2007-02-01_2007-02-28.html) e então lembrei que, na ocasião, postei aqui no Diário informações sobre Pulika e Marcílio Tabosa... mas faltou a Michelle! Como deixar de falar dessa menina inquieta, artista sempre na batalha? Ela vive atualmente em Brasília e toca com suas parceiras o Cadê Tereza?, um espaço de arte, artesanato, cultura, oficinas, show, show mesmo! Melhor do que falar, é ver: confiram o trabalho dela em http://www.flickr.com/photos/michellecunha
Imagem: cópias de xilogravuras de Michelle Cunha, fev/2007
Escrito por Manoela Afonso às 22h14
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Eu realmente demoro a responder, mas não se preocupem que uma hora eu respondo!
Recebi este Meme da minha amiga Marilda (http://iscapoetica.blogspot.com), já tem um tempo...
Se quiser participar, basta copiar as perguntas, respondê-las, publicar no seu blog e convidar alguém para fazer o mesmo. Vou enviar convite para:
Crys (http://letrasecrystais.zip.net/index.html) Sérgio (http://srferreira.zip.net), Dudu (http://dudv-descarrego.blogspot.com/) Clara (http://www.candela.blogger.com.br/) Tico (http://www.ticolitlle.blogspot.com/)
Perguntas e respostas respectivas:
1. O que você estava fazendo em 1978 (há 30 anos)? Bom, eu tinha 1 ano e meio de idade heheeh. Devia estar dando trabalho para minha mãe, raspando meu travesseirinho na boca, mamando muito, brincando, chorando, fazendo manha. Minha mãe diz que eu era chata para comer... vá saber né. Acho que foi nessa idade que dei um susto nos meus pais, tive uns 2 desmaios, fui parar no hospital, etc... mas no fim ficou tudo bem (ao menos eu acho que sim heheeh)
2. E em 1983, há 25? Aí eu já tinha uns 7 anos. Já estava indo para o Colégio Bom Jesus, devia estar na primeira série. Eu era apaixonada pela minha professora - Maria Elisa - que virou minha madrinha de batismo (fui batizada já grandinha... vivi no pecado por muitos anos hehehe - a tal manchinha no coração... a gente aprende cada coisa!). Eu era apaixonada também pelo meu professor de religião, o tio Pedro... ele era lindo. No mais, brincava, levava bronca, andava que nem um muleque, adorava (adoro) bichos... já tinha minha irmã com 4 anos e meu irmão estava chegando em setembro desse ano! Acho que nessa época nossos cães eram o Lobo e o Lupi - dois pastores alemães.
3. O que você estava fazendo em 1988? Agora com 12 anos. Nessa época eu estava estudando muito, eu era bem cdf... e não gostava muito do pessoal do fundão. Brincava na rua - continuava como um muleque - a maioria dos meus amigos eram meninos. Durante a semana, chegava do colégio e fazia as tarefas do dia seguinte... consultava muito a Delta Larousse e fazia muitos mapas com carbono. E claro, desenhava o tempo todo - eu tinha uma pasta de desenho e desenhava também nos cadernos da escola. Colecionava papéis de carta, figurinhas do chocolate Surpresa e tudo mais que aparecesse. Nos finais de semana andava de bicicleta até tarde, jogava video-game, assistia filmes de terror escondido (depois morria de medo)... adorava Thundercats, Jaspion, Changeman (eu era a change mermaid), Caverna do Dragão, Cavalo de Fogo, Smurfs, Pica-Pau, MandaChuva, Maguila o Gorila, Corrida Maluca, eu adorava desenhos... (adoro ainda, muito!). Nessa época eu queria ter um cavalo, um macaco, um corvo, um ponei, queria falar com os animais, catava caramujos e rãs no quintal e gostava de observar aqueles cogumelos tipo sombrinha que apareciam nos dias de chuva (eu não os comia!). Nessa época havia mais vaga-lumes e joaninhas. Tínhamos um cão muito querido, o Pingo, que durou 16 anos.
4. E em 1993? Nossa, com 17 anos. O primeiro namorado - que durou 6 anos e meio. Adolescência conturbada, brigas com meus pais, essas coisas básicas. Meu primeiro estágio, num escritório de arquitetura. Depois fui estagiar na Encol. Não estava independente economicamente, mas já podia arcar com muitas das minhas despesas. Foi legal, um ano de muito crescimento. Eu estudava no CEFET, fiz edificações... virava noite fazendo os trabalhos. Passei a estudar à noite e conheci melhor a realidade daquelas pessoas com a mesma idade que eu que já tinham uma família para sustentar. Comecei minha vida noturna e o gosto pelo rock! Bons tempos... fiz algumas coisas ousadas, ainda bem que meu anjo da guarda esteve sempre presente. Continuava amando bichos, já tinha a Lua, minha sheepdog que faleceu no ano passado. Continuava desenhando, projetos e desenhos de observação, de criação.
5. O que estava fazendo há 10 anos? Hmm, 1998. Eu estava voltando para a graduação em artes (eu tinha trancado 1 ano) e fazia também Agronomia (um martírio - mas um curso lindo). Tive alguns namorados, bebi algumas cervejas, fiz muitos amigos queridos. Trabalhava em muitos freelas (arquitetura e paisagismo), muitos mesmo! A Faculdade de Artes do Paraná certamente mudou minha vida, pois adquiri mais cultura, um amor pela história que eu nunca tive, um gosto pelo conhecimento teórico. Fiz minhas primeiras gravuras. Mas fui uma aluna mediana, nada excepcional. Bons tempos de barzinhos com os amigos. A grande amizade que virou amor: Alexandre.
6. E há cinco? 2003. Ano decisivo. Pedi demissão do Colégio Nossa Senhora de Sion - onde lecionava História da Arte e Artes (que saudade dos meus pequenos!) - para mudar para Brasília junto com meu namorado (agora marido). Um ano conturbado na família. Minha irmã já morava sozinha... foi difícil me despedir de todos, inclusive da Lua, das minhas plantas, do ateliê que tínhamos acabado de abrir (eu e meu querido amigo Ary Camargo). Esse foi o ano em que iniciei uma vida nômade. Felizmente!
Finalmente volto a postar aqui no Diário... e aos poucos retornarei também ao Le Mur e ao Cumulus. Por hora quero dividir com vocês um croqui explicativo feito por Orlando DaSilva (as letras legíveis são anotações minhas), quando estive em seu ateliê, em Curitiba. Estava dentro do livro que ganhei do artista, no qual há um belíssimo texto sobre desenho. Em breve partilharei mais detalhes com vocês aqui, à medida que a leitura vá se desenvolvendo.

Escrito por Manoela Afonso às 01h44
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libertas quae sera tamen

libertas? só depois do dia 27/03. por hora ao menos conto com um alívio ao caminhar, com um peso menor sobre o corpo/mente/espírito.
Ó homem! Presta atenção!
Que diz a meia-noite em seu bordão?
"Eu dormia, dormia...
Fui acordada de um sonho profundo:
Profundo é o mundo!
E mais profundo do que pensa o dia.
Profundo é o seu sofrimento -
E o prazer - mais profundo que a ansiedade.
A dor diz: 'Passa, momento!'
Mas quer todo o prazer eterniade -
Quer profunda, profunda eternidade!"
Assim falou Zaratustra, p. 233
Escrito por Manoela Afonso às 17h44
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... ainda sumida

meus amigos, ainda estou aqui na lida com a vida acadêmica. o bom é que a experiência está sendo muito frutífera! se tudo correr bem, creio que no final de março retomo meu ritmo normal, mas por enquanto é pauleira. tenho muitos amigos para responder, prometo que o farei logo logo, então retribuirei cada visita. por enquanto deixo aqui meu rastro de passagem.
"Nem sempre consigo sentir o que sei que devo sentir.
O meu pensamento só muito devagar atravessa o rio a nado
Porque lhe pesa o fato que os homens o fizeram usar.
Procuro despir-me do que aprendi,
Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram,
E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos,
Desencaixotar as minhas emoções verdadeiras,
desembrulhar-me e ser eu, não Alberto Caeiro,
Mas um animal humano que a Natureza produziu.
E assim escrevo, querendo sentir a Natureza, nem sequer como um homem,
Mas como quem sente a Natureza, e mais nada".
(10-5-1914, O Guardador de Rebanhos)
imagem: faixa de pedestres em brasília - jan/08
Escrito por Manoela Afonso às 00h23
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